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Vai Design!!

Já falei aqui, que minha visão de design, com o passar do tempo, tem se tornado cada vez mais estratégica. 

Nessa semana, deixei de participar de uma reunião setorial de um determinado mercado, que é considerado um mercado muito promissor. Depois falando sobre a reunião com um amigo que compareceu, percebi que não perdi muita coisa…

Por força de alguns projetos que participei, convivi muito com essas reuniões setoriais. A principal razão de ser desse tipo de reunião é exatamente reunir as empresas e mapear o que aquele segmento precisa para crescer

A questão é que as empresas costumam concentrar suas “necessidades" em apoio governamental. Crédito barato, reservas de mercado, capacitação a custo zero - ou perto disso.

Dificilmente temos nessas reuniões, empresas expondo projetos para o segmento. Projetos reais, de pesquisa e desenvolvimento conjunto, por exemplo. Nunca vi um projeto ser apresentado por uma das empresas visando reunir o pequeno poder de realização de cada uma, para realizar algo que pudesse atender a todas. Tudo que é apresentado é visando o “apoio e realização” de entidades governamentais primeiramente.

Acabei agradecendo por não ter comparecido. Mesmo com as reclamações do amigo, que julga que estou virando as costas para um mercado promissor.

Mas a minha conversa com ele, quando expus esse meu pensamento, de que muitas empresas esperam muito do governo ao invés de agir antes, me deixou com um pensamento na cabeça…

Uma das capacidades do designer que eu considero subutilizada, quando está a serviço apenas de produção gráfica, vídeos ou internet institucional, é a capacidade de trabalhar com baixos orçamentos, e mesmo assim, construir coisas com alto grau de sofisticação, usabilidade e focadas na solução dos problemas apresentados…

Sempre penso nessa capacidade, aplicada de maneira estratégica, visando melhorias de produção e de concepção de produto, para um conjunto de empresas.

Deu para entender? 

Vou dar um exemplo prático:

Falemos de um mercado qualquer, como por exemplo… software. Digamos que para produzir os softwares, as empresas precisem de um determinado framework, certamente importado, obviamente caro! Mas, padrão de mercado. As licenças proibitivas desse framework seriam um entrave para o desenvolvimento de softwares capazes de competir nos mercados internacionais…
Essas empresas estão reunidas, tentando crédito com o governo, querendo montar um grande laboratório de P&D para desenvolver um framework nacional, capaz de elevar a qualidade dos softwares produzidos aqui e possibilitar a entrada no mercado mundial…


Claro, conseguir esse dinheiro não é fácil!!!


Porque então, essas empresas não se unem e montam, dentro das suas possibilidades, um pequeno laboratório de P&D, capaz de iniciar o desenvolvimento do framework que iria possibilitar a entrada em mercados internacionais? Poderia ser com a doação de horas dos programadores de cada empresa, trabalhando em um projeto virtual, sem necessidade de um espaço único…. Ou outras formas de colaboração e compartilhamento de conhecimento para o bem de todos!


Certamente, com o framework já em desenvolvimento, seria muito mais fácil conseguir crédito e investidores para apoiar a iniciativa!

Não estou dizendo que é um caminho fácil. 

Até porque, não existe mais nada fácil… Vivemos num mundo com mais de sete bilhões de pessoas. Nada mais é fácil.

Mas, com certeza, é uma forma de conseguir avançar!

Entenderam o conceito da coisa!? 

FAÇA! Quando você estiver fazendo, os recursos virão…

Essa questão toda, passou pela minha cabeça e eu pensei: por que nós, designer, não fazemos isso!?!

O que acham, designers, de aplicarmos esse conceito a nós mesmos

Que acham de nos reunirmos e mapearmos o que nós precisamos, para valorizar nosso trabalho, difundir nossa importância, demonstrar nossas capacidades estratégicas e ampliarmos a nossa participação no processo de decisão das pequenas, médias e grandes empresas nacionais?

O que precisamos para fazer mais

Como podemos conseguir maior credibilidade com nossos clientes?

Como podemos demonstrar aos mercados, a nossa capacidade de agregar valor a empresas, produtos e serviços?

Como podemos participar mais dos processos estratégicos e de decisão das empresas, visando elevar os padrões de competitividade?

Como podemos fazer MAIS!? 

Como podemos ser mais ESSENCIAIS?!

EU gostaria muito disso! 

Participar de um processo que levasse o design a ser entendido como essencial em TODOS os âmbitos de negócios desse país. Gostaria de ajudar a construir um mercado onde a opinião e a visão do designer fosse valorizada e entendida como uma opinião fundamental, na construção de empresas, produtos e serviços.

Não é tão difícil. Vai ter de ser feito um dia. Porque não agora?!

Afinal…. Época de crise, é época de oportunidade!

O que me dizem, designers?!…

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Tags: 2015, PauloBragaPrado, compartilhamento, construir, cooperação, credibilidade, design, designers, empreender, estratégia, Mais...mercado, oportunidades, valor

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Comentário de Paulo Braga Prado em 27 julho 2015 às 17:59

Oi, Wellington!

Claro. Certíssimo!

Mas a questão, creio eu, é anterior a esse posicionamento. Anterior a esse momento!

Veja, para que vc consiga "comunicar o valor do design como estratégia aos negócios e conseguir credibilidade e confiança da empresa/cliente" através dessas ações, vc precisa ANTES ser contactado ao menos por essa empresa, com esse intuito. É preciso que a empresa demonstre ter o conhecimento de que, design pode ser aplicado na estratégia. Design pode ser fundamental na estratégia.
Mapear as possibilidades do design na empresa, permear os setores são fundamentos praticamente impossíveis em pequenas e medias empresas do Brasil. Falo pelos mercados que eu conheço... Rio de Janeiro, Minas e São Paulo (parcialmente, Minas e São Paulo...). 
Não temos empresarios com essa cultura. 
Na temos nem mesmo uma cultura de planejamento. 
Esse é o problema. nós temos uma dificuldade ANTES da nossa atuação. Que é fazer com que as pessoas entendam a diversidade e amplitude de nossa atuação.
É para essa questão que eu tento velar a ação. :)

É meu mop básico, ao visitar uma empresa pela primeira vez, chegar com pelo menos 20 minutos de antecedência. Para reparar na recepção, como ela funciona. Como se dá o fluxo das pessoas, das informações , como é o "nervo" do ambiente.
Normalmente, por essa observação eu já sei o que me espera. E já consigo mapear muitas possibilidades de aplicação de design, como estratégia e como ferramenta para gestão.
É meu habito tb, falar muito. rsrsrs
Sabe o que mais eu escuto? "O que isso tem haver com design?" 
E seu falo que atuo nesse campo:  "Ah! Mas então vc na é "só" "design"(er)..."
É contra esse tipo de ignorancia (de quem ignora)  que eu considero essencial, que se tome providências...

O maior mercado empresarial desse país, é formado por pequenas e médias empresas (mais pequenas, do que médias). Acho totalmente nonsense que não possamos atuar nesse mercado! Design no Brasil, em 2015, continua sendo ligado quase que totalmente a... layout.

eu participo de dezenas de grupos, entre facebook, whatsapp e outras redes, focados em design. Sabe em quantos, o design é tratado pelo lado estratégico? nenhum. 
Layout, layout, layout... 

Ah! design thinking! Sim, esses grupos melhoram a média. Design thinking, design de serviços...

Mas eu penso que design, é design! E todos nos temos sim, de ter pensamento estratégico e temos de conseguir que o cliente entenda isso. Se ele não entende, perdemos nós o cliente. Perde ele pois o negócio sofre mais, perdem todos..

Muito obrigado pelo seu comentário! :)

Comentário de Wellington Luiz Conceição em 27 julho 2015 às 0:48

Acabei de reler o livro de Peter L. Philips sobre Briefing e gestão do design.

Ele sugere (óbvio, mas pouco praticado) que, para cmounicar o valor do design como entratégia aos negócios é:

  1. Mapear as possibilidades de aplicação do design na empresa;
  2. Estabelecer relações de parceira com os setores da empresa
  3. Procurar produzir resultados quantitativos (volume de vendas, opinião dos clientes, etc.)

Assim teremos credibilidade e confiança com a empresa/cliente.

Comentário de Paulo Braga Prado em 24 julho 2015 às 12:14

Beleza, Rodrigo!!!

Comentário de Rodrigo Alves em 24 julho 2015 às 11:54
Concordo com a ideia!

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