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O designer que desenhou as primeiras famílias do dinheiro brasileiro

Aloisio Magalhães em seu escritório, 1966 (Foto: Acervo Aloisio Magalhaes)

Nos anos 1960, quando o pintor pernambucano Aloisio Magalhães decidiu que seria designer, ele tinha uma motivação muito clara. Queria que sua arte alcançasse projeção social e que não ficasse restrita à casas de elite ou círculos sociais. Trinta e dois anos após sua morte, seu legado artístico inclui a produção de símbolos de centenários de cidades brasileiras, dezenas de logos de empresas e instituições do país e o desenho das primeiras famílias do dinheiro brasileiro. Toda essa trajetória artística é contada na exposição do Itaú Cultural, em São Paulo. Com entrada gratuita, está aberta ao público até o dia 24 de agosto. 

Sem começo ou fim definido e montada com painéis transparentes, a exposição leva o público a circular pela trajetória do Alosio pintor, designer e formulador de políticas públicas. "A maior motivação dessa exposição é mostra o Aloisio projetista - no design, pintura ou atuação pública. Alguém que planejou e quis projetar o trabalho para o maior alcance social", diz o curador João de Souza Leite. Há quadros pintados em seu ateliê em Pernambuco nos anos 1950, com obras abstratas que refletem sobre sua terra natal e a diversidade do povo brasileiro. Sua contribuição, nos anos 1970 e 1980, para a educação e patrimônio cultural do país também estão ali, contadas ao público por meio de fotos e textos. Uma das curvas da instalação, no entanto, surpreende pela quantidade de logos e símbolos que Aloisio criou a partir de 1960 para empresas, bancos e instituições que tiveram impacto significativo no cenário econômico brasileiro.

Do logo da Fundação Bienal - que permanece idêntico - passando pelas primeiras criações para a Vale, Petrobras, Souza Cruz, Light até bancos importantes que acabaram desaparecendo com a reforma bancária, como o Brascan, Comercial Brasul e Banespa. Alguns dos logos também aparecem em formato tridimensional (impressos em formato 3D), como uma alusão ao modo como Aloisio gostava de imaginá-los no processo de criação, conta o curador. A encomenda dos logos chegava naturalmente a ele, decorrente de uma visibilidade conquistada como pintor premiado e representante brasileiro na Bienal de Veneza. 

João, que foi assistente de Aloisio, afirma que a maior preocupação para o designer consistia em criar símbolos "absolutamente estáveis" e que "durassem muito". "A ideia é que aquelas formas serviriam para identificar as empresas de modo claro, conciso, preciso e com uma característica absolutamente individual", conta. Segundo João, as soluções passavam sempre pela geometria, seguindo a linha do design construtivo e moderno da época e a opção de Aloisio por uma linguagem universal, que se comunicasse com o maior público possível. Esta era uma mudança ao design praticado antes no país que, de acordo com João, traziam símbolos de empresas como mera reprodução de seus nomes. "Uma companhia de aviação teria um avião ou uma farmaucêntica trazia um macerador de ervas". 

O tom e o traço no dinheiro brasileiro 
O público que chega ao final da curva estampada por logos das empresas, ouve um áudio ressoando ao fundo, sem telas ou imagens. A intervenção traz a voz do próprio Aloisio - em depoimento ao Banco Central no final dos anos 60 - para contar um dos processos de criação que lhe trariam maior reconhecimento décadas depois: o desenho das primeiras famílias do dinheiro do Brasil. O acesso a este trabalho veio da vitória do concurso de design que o Banco Central criou em 1966 para elaborar um novo padrão monetário brasileiro. Na época, a instituição buscava uma identidade para o dinheiro e autonomia para a produção de cédulas e moedas no país. No áudio, o público ouve Aloisio contando o desafio que foi de transformar estes desejos do Banco Central em símbolos e aliar isso às diretrizes técnicas (marca d'água e formato) e à sua vontade de refletir a personalidade do país nas cédulas.

Nota de 500 cruzeiros, desenhada por Aloísio, revela diversidade ética do povo brasileiro (Foto: Divulgação)

"O papel moeda de todo país desenvolvido tem uma configuração peculiar, espelha uma característica. O próprio dólar, dentro de sua simplicidade e falta de preocupação de ter personalidade, acaba tendo uma", conta Aloisio no depoimento. Na exposição, o público confere o resultado deste trabalho: cédulas com imagens de Brasília, figuras da monarquia, mapa múndi e a de 500 cruzeiros com diversos rostos, refletindo a diversidade ética do povo brasileiro.

"Após ter criado as cédulas e ter trabalhado com um poderossímo instrumento de comunicação que é o dinheiro, ele falava que tudo havia mudado para ele. Principalmente a sua percepção da cultura brasileira", conta João. Essas novas ideias, Aloisio buscará implantar em debates públicos ao fundar o Centro Nacional de Referência Cultural (1975) e com seu trabalho na direção do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Da palheta em cores - uma gradução em verde, vinho e azul - ao lugar centralizado das imagens, muito do que Aloisio projetou pode ser reconhecido no real de hoje. 

Aloisio faleceu em 13 de junho de 1982, vítima de um acidente vascular cerebral. Morreu jovem, aos 54 anos. Segundo João, ele odiava a palavra criatividade e preferia encarar o seu trabalho - e a si mesmo - como uma transformação de projeções culturais em realizações efetivas. "Quando se fala do designer hoje logo pensamos naquele sujeito criativo. Aloisio não gostava da palavra criatividade, pensava no design como a capacidade de projetar as coisas. Ele queria resolver os problemas de comunicação tal qual se colocavam naquele momento, com raciocínio lógico e representação objetiva", afirma. O Dia Nacional do Design, 5 de novembro, foi instituído em homenagem a ele.

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