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Vai Design!!

Argumentos pela regulamentação... de preferencia com outra redação

Bem, não quero aqui impor regra, só cutucar a outras pessoas a pensar na regulamentação de uma forma que possa ser diferente....


Desde que entrei no curso de design acompanho discussões sobre a regulamentação. Uns contra, outros a favor e nada a definir. Uma série de opiniões formadas sobre o problema e nenhuma ação concreta. No final das contas toda a responsabilidade de decidir sobre a regulamentação, fica nas mãos de quem não conhece as nuances de nossa profissão. 

O fato é. Há a necessidade de ditar legalmente direitos e deveres do designer. Porém quais são esses direitos e deveres é uma questão que muda dentro das divisões do design, pois, apesar de dividirem o mesmo método criativo de trabalho são realidades que vem se distanciando desde a década passada. E hoje se tornam cada vez mais próximas de outras profissões e adquirem suas responsabilidades devido ao avanço tecnológico. 

A compreesão do design
Paralelamente, outro grande problema, é a compreensão sobre oque vem a ser design e a dificuldade de expressar seus valores de forma clara. Não vejo como se regulamentar uma profissão que não aparenta ser algo tangível, com um significado hermético. Isso gera aberrações comuns do “Eu acho...”, como a vinculação de design com “boa estética” visto em conceitos de cake-design, design de sobrencelhas, hair-design e etc.

Todos aqui, sabem oque significa design, pelo convívio ou pelo estudo. Porém o termo design é de significado primitivo. Design é design e nada mais, assim como arquitetura é arquitetura e engenharia é engenharia. São substantivos que se podem conceituar apenas por outros conceitos de significados próximos. Então quando vemos o significado dito pelo ICSID, esquecemos que “design” é um termo comum em sua língua de origem, mas não no português. E que traduzindo isso fica algo aéreo sem uma conexão com significados comuns à língua portuguesa.

“Crijuana” é uma atividade criativa cujo propósito é estabelecer um conjunto multi-facetado de qualidades nos objectos, processos, serviços e sistemas na totalidade do seu ciclo de vida. Deste modo, o “Crijuana” é o factor central da inovação e da humanização das tecnologias e um fator crucial do intercâmbio económico e cultural."

Segundo o significado traduzido acima “crijuana” pode ser qualquer coisa a qualquer momento, não está claro que é uma atividade projetual de designio, planejamento, intensão e consequentemente de valor estratégico. Não está claro a arte, ou técnica de projetar. A grosso modo diz só que é legal. Porque “Crijuana” já subentende-se que é aquilo que é, em sua língua natal.

E esse termo é melhor traduzido por projeto, porém uma categoria muito específica de projeto. Uma categoria que usa arte, ao invéz de somente matemática e ciência como principio, assim como a engenharia. Aí vem o conceito classico de arte, que está mais ligado a técnica e ao feeling. Ou em outras palavras a Arquitetura das coisas, Engenharia baseada em humanidades ao invés de matemática. Enfim...

O problema é que essa indefinição está na cabeça de boa parte de estudantes e profissionais. E não se dão conta que transparecem uma insegurança na hora de passar esse significado pra outras pessoas. Consequentemente, pra terceiros design não seignifica nada, ou tem um significado misterioso. E para delimitarmos a nossa posição no mundo(regulamentação) temos que saber até onde vão nosso domínos e dizer quem está dentro e quem está fora. A meu ver temos que explicar e depois ditar os objetivos.

A tradução do ICSID melhor seria adaptada da seguinte forma:

DEFINIÇÃO DE DESIGN
Design (como atividade)É uma categoria projetual [assim como a arquitetura e engenharia], criativa , a qual tem principios artísticos e técnico-científico para definir objetivos,planejar, projetar ou elaborar as qualidades multifacetadas objetos, processos, serviços e seus sistemas em ciclos de vida. Consequentemente de caráter estratégico.

Missão
Design visa descobrir e avaliar relações estruturais, organizacionais, funcionais, expressivas e econômicas, com a missão de:
  • Reforçar a sustentabilidade global ea proteção ambiental (ética global)
  • Oferecer benefícios e liberdade para toda a comunidade humana, individual e coletiva usuários finais, produtores e atores do mercado (ética social)
  • Apoiar a diversidade cultural apesar da globalização do mundo (ética cultural)
  • Dando produtos, serviços e sistemas, formas que expressem (semiologia) e sejam coerentes com (estética) sua própria complexidade
Design diz respeito a produtos, serviços e sistemas concebidos com as ferramentas, organizações e lógica introduzidos pela industrialização - não apenas quando produzidos por processos em série. O adjetivo "industrial" associado ao design deve estar relacionada com o termo indústria, ou na sua acepção de sector de produção ou no seu sentido antigo de "atividade industriosa". Assim, o design é uma atividade que envolve um amplo espectro de profissões nas quais produtos, serviços, gráfica, interiores e arquitetura, todos participam. Juntas, essas atividades deveriam ampliar ainda mais - de forma integrada com outras profissões relacionadas - o valor da vida. 
Portanto, o termo designer se refere a um indivíduo que pratica uma profissão intelectual, e não simplesmente um negócio ou um serviço para as empresas.


A definição acima, abrange o campo da arquitetura também, mas creio que por cultura, os profissionais de arquitetura não gostariam de ter a nomenclatura mudada.


A quem interessa regulamentar
Imagino que para designers de produto seja mais crítico do que para designers gráficos a regulamentação.
A qualidade do produto projetado tem maior influencia na saúde do usuário no design de produto. E nada mais natural do que responsabilizar legalmente o projetista por eventuais erros de projeto. Assegurando, o industrial uma maior segurança e uma melhor qualificação dos profissionais de projeto. Porém o designer gráfico também ficaria amparado sob a regulamentação em alguns aspectos. Assim como deixa-lo responsável por questões de caráter específico em cargos públicos. E estabelecer aposentadoria e benefícios do governo compatível com o nível de instrução.

Imagino que reserva de mercado não seja a solução ideal para garantir a unidade da profissão. Afinal existem profissionais que trabalham com projetos artísticos, que por mérito são designers, talentosíssimos sem serem formados em design. Mas garantir que a responsabilidade por projetos sejam de pessoas que estudaram especificamente para esses casos. Dando reconhecimento e deveres ao esforço da graduação e pós graduação ou anos de trabalho na área.

Para pessoas sem condições de serem amparadas pela regulamentação. Caberia fazer oque Designers formados hoje fazem. Serem supervisonados por técnicos responsáveis, para assinarem sobre a responsabilidade do projeto, ou, nesse caso por outro designer formado. Apenas por caracter legal. Até que entrem em condições de serem amparados.
E óbvio que deve garantir a outros profisionais que exercem a atividade de design há muito tempo a possibilidade de usufruir dos mesmo benefícios e deveres.

A regulamentação é interessante também para evitar estelionatários e oportunistas através da imposição de regras profissionais mais rígidas e cadastros em conselho de ordem. Não é interessante para designers serem comparados a determinados estelionatários que se dizem designers e copiam uma marca da internet, cobram dois mil reais por três horas de trabalho, ou copiam leiaute do template monster e se dizem webdesigners. Nesse caso é uma garantia ao cliente que seu trabalhao será feito por um profissional que tem um cadastro que pode ser visualizado no conselho para ver se há processos em seu nome.

Sendo interessante para o cliente também que seu trabalho seja feito por uma pessoa com perfil mais profissional. Já que para exercer corretamente, sem que haja multas e na legalidade o profissional de design deverá OBRIGATÓRIAMENTE pagar a anuidade ao conselho. Assim com é em outras profissões. Eliminando pessoas que fazem design por “bico”.
Obviamente a regulamentação só nomeia e cria amparo legal para ações publicas. Então continuaria valendo a lei de mercado de melhor oferta ou melhor produto. Deixando para associações ou conselho a briga na justiça por praticas injustas de mercado. No fim das contas é mais interessante para o Cliente e usuário que se regulamente a profissão. Seja pela responsabilidade técnica ou por garantias de profissionais sem ficha suja.

Pontos de vista.(opinião)
A lei que tramita a 20 anos no congresso não dá claridade sobre a natureza do design. Que não é um conceito usual na língua portuguesa. É muito restritiva a respeito do exercício da profissão. O ideal seria restringir responsabilidades legais aos designers “fichados” no conselho e deixar o pau rolar solto pra quem trabalha na ilegalidade,ou não é ainda candidato a ser “fichado”. A regulamentação, deve ser pensada no benefício da população e nào somente no benefício dos designers. Variando portanto de responsabilidades legais a diferencial de mercado pra gente.


Talvez outro dia eu tenha um pique pra fazer uma redação de aoutra regulamentação e coloco aqui pra quem quiser copiar, modificar e no final das contas ir pro congresso de novo :D




Tags: regulamentação

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Respostas a este tópico

Muito bom, chegou a um ponto a qual muitos profissionais e estudantes não gostam muito de assumir, que não compreendem aquilo que fazem, ou seja, não sabem o que é design.

Como podemos exigir regulamentação de uma profissão se a maioria dos que particam não sabem defini-lá ou discordam quanto a sua area de atuação e importância.

Também como podemos querer regulamentar o design se nós mesmos ainda não conseguimos chegar a uma acordo comum sobre o "regulamentar".

Muito interessante a definição de design colocada, mas acho que faltou colocar o fator "Filosófico" da atividade do designer que é projetar elementos e estruturas físicas necessária à vida, ao bem-estar e/ou à cultura do homem.

Att

Fernando Ximenes
Fernando,
Defina Medicina. Sem que falte nada na explicação...
Curar as pessoas, difinição na sua essência mais elementar.

Para o design, como seria? Tem alguma sugestão?
Isso eu iria perguntar para você. Já postei aqui sobre o termo de design, para adotarmos o conceito apresentado pela ICSID, mas sempre "está incompleto".

Definir medicina apenas com Curar pessoas não descreve tudo que engloba e como engloba.

Isso falta aos designers, e o pior... falta querer aceitar um conceito que não seja criado por ele próprio...
Desculpe pessoal, mas não entendi a discução paralela de vocês.
A proposta feita pelo colega, para a definição de design não está de acordo para vocês?

Abraço!
Definição de design - http://designbr.ning.com/forum/topics/definicao-de-design

Como eu ja havia abordado antes, vi que o que acontece depois é a não aceitação de uma unica definição. Minha birra com o Fernando foi nessa questão.
Mesmo a definição estando de acordo (na minha opinião) , vai ter gente querendo colocar mais itens, ou mudar os nomes...
Ah, perfeito. Entendi.
Bom, o que eu acho é que nunca vão agradar a todos.
Porem, honestamente, a maioria das vezes quando se critica a definição de design, o que é dito geralmente são coisas absurda ou extremamente abstratas para serem incorporadas. Temos de convir que a definição tem que ser o mais tangível possível (justo o que foi abordado na redação deste tópico).
Essas outras definições podem ser ditas pelas pessoas, como suas interpretações do design, porem não se pode generalizar. A definição deve ser o minimo de consenso entre todos.
Grande Abraço!
hehe.. discutir é sempre bom.. mas não pode é perder o foco.. XD


acho que todo estão no mesmo sentido... oque digo é que temos que deixar uma linha clara, se não, não há chance de nem nossas mães entenderem oque é design.. concequentemente os deputados da comissào julgadora....
Procuro sempre me informar sobre a regulamentação da profissão e confesso que a princípio, pensava no benefício próprio de nós designers, mas diante dos bons argumentos presentes no texto, penso que, realmente, o maior beneficiado com isso é o cliente. Parabéns pelo texto! Esepro que tenha logo pique para fazer a outra redação! ;)
Muito obrigado Fernanda... ;)
Nossa! Achei otima a Definição de design descrita no texto. Parabens!
Diria até hoje a unica que me pareceu completa e compativel com as reais atribuições.

Parabens pelo texto, digo que com base neste texto, apoio integralmente a regulamentação.
Até então, todas proposta que tenho visto não trariam nenhuma vantagem (algumas até prejudicam a profissão) e digo que através de outras propostas sou integralmente contra.

Novamente parabens pela otima argumentação!
hehe.. valeu diego....

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